Entrevista com Ray Wilson, a última voz do Genesis

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Ele foi considerado a última voz de uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, o Genesis. Em 1998 ele aceitou o desafio de substituir Phil Collins nos vocais. Estamos falando de Ray Wilson que aceitou o nosso convite para uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil.

Aqui ele fala de seu novo projeto-solo com releituras em estilo clássico dos sucessos do Genesis, revela momentos que teve ao lado de Tony Banks e Mike Rutherford e de sua passagem pelo Brasil em 2005. Vamos conferir:

Marcelo de Assis: Ray, você está atualmente em turnê pela Europa. Como tem sido os shows?

Ray Wilson: Eu me apresentei durante muitos anos na Europa e eu tenho um grande público aqui. Muitos fãs dedicados. Eu realmente gosto das turnês, e é por isso que eu excursiono com tanta frequência.

Marcelo de Assis: Seu último álbum Ray Wilson and The Berlin Symphony Ensemble apresenta a leitura de vários hits do Gênesis e até de Phil Collins com a música clássica. Conte-nos sobre este projeto e como surgiu esta idéia…

Ray Wilson: É óbvio que existem muitas grandes canções do Genesis como um todo, incluindo as canções da carreira-solo de Phil, Peter (Gabriel) e Mike Rutherford. Eu decidi fazer um show clássico, que inclui minhas músicas favoritas da banda, as carreiras-solo e a minha própria música. O show é de duas horas e meia de duração, para que ele realmente se beneficie de grandes canções de todos esses grandes artistas.

Marcelo de Assis: Você ouve música clássica?

Ray Wilson: Não, realmente. Hoje eu moro na Polônia, a casa de Chopin, então, eu passei a ouvi-lo mais vezes, embora eu seja um cara “Rock´n´roll” (risos)

Marcelo de Assis: Ray, quais foram as suas maiores influências musicais?

Ray Wilson: Desde muito cedo, David Bowie, Rush, AC/DC e também bandas como Live, Pearl Jam, Ryan Adams, Bruce Springsteen, Neil Young e assim por diante…

Divulgação

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Marcelo de Assis: Ray, como surgiu o convite para fazer parte do Genesis? E qual foi a sua reação ao conquistar esta oportunidade?

Ray Wilson: Minha banda Stiltskin estava indo muito bem na metade dos anos 90. Nós assinamos um contrato com a Virgin Records ao mesmo tempo em que o Genesis assinou. Quando o Phil saiu, eles me chamaram para substitui-lo como cantor e compositor.

Marcelo de Assis: Mas chegou a ser cogitado de que a banda não se chamaria Genesis, já que Daryl Stuermer e Chester Thompson não continuariam como membros?

Ray Wilson: Daryl e Chester eram apenas uma parte da banda ao vivo. Eles nunca foram membros do Genesis. Ambos são grandes músicos…

Marcelo de Assis: E como era seu relacionamento com Tony Banks e Mike Rutherford no estúdio? Como foi essa adaptação do seu estilo musical com o deles?

Ray Wilson: Foi um pouco confuso no início. Eles são muito mais velhos do que eu, então eu basicamente seguia seus exemplos. Quando começamos a turnê, o equilíbrio ficou deslocado, porque, sendo o homem de frente, eles confiaram em mim para pfazer um bom trabalho. Eu sempre gostei de trabalhar com eles. São pessoas talentosas.

Marcelo de Assis: Ray, como você se sentiu com a responsalbilidade de substituir Phil Collins no Genesis. Do ponto de vista emocional, você se preparou para uma inevitável pressão dos fãs e da imprensa?

Ray Wilson: Foi muito divertido. Um grande desafio, mas divertido. Era sempre um prazer cantar as grandes canções do Genesis e também escrevê-las com a banda. Eu nunca me senti intimidado pela tarefa.

Marcelo de Assis: Você sempre foi um fã do Genesis?

Ray Wilson: Eu era mais fã do Peter Gabriel, mas, sim, eu gostava da banda. Trick Of Tail é meu álbum favorito.

Marcelo de Assis: Ray, você pode definir como a musicalidade do Genesis acrescentou em sua carreira?

Ray Wilson: É difícil dizer… Talvez seja empregada na minha música como um pouco menos nervosa. O Stiltskin tinha um som grunge e depois do Genesis, a minha música mudou.

Marcelo de Assis: Antes de iniciar seu trabalho no Gênesis, você chegou a falar com o Phil Collins?

Ray Wilson: Só por telefone. Acho que o Phil estava desapontado porque o Genesis continuou sem ele, mesmo que ele tivesse entendido o porquê disso. Genesis era uma grande parte de sua vida e eu entendo isso.

Marcelo de Assis: Calling All Stations foi um grande trabalho do Genesis que teve grande aceitação do público na Europa, foi bem recebido pela crítica, mas a aceitação no mercado norte-americano não foi o esperado. Analisando as duas circunstâncias, a que conclusão você chegaria, hoje, depois de quatorze anos?

Ray Wilson: Tudo aconteceu tão depressa. Eu não prestei muita atenção ao mercado. Olhando para trás acho que fizemos um bom álbum e a turnê deveria ter continuado com certeza. Recebo muitos e-mails de fãs dos EUA, então eu acho que foi mais uma questão de marketing. Phil também estava se tornando bem menos sucedido como um artista-solo nos EUA naquela época. Eu acho que nós também pagamos por um preço devido a isso.

Marcelo de Assis: Qual foi sua inspiração para escrever Not About Us ?

Ray Wilson: É basicamente uma canção sobre não pensar apenas em seus próprios problemas o tempo todo. Sempre haverá alguem com problemas maiores que você.

Marcelo de Assis: Você esteve no Brasil em 2005. Qual foi a impressão que você teve dos fãs brasileiros?

Ray Wilson: Eles conhecem sua música. Parecem ser muito honestos com os seus sentimentos. Eu gostaria de voltar com a minha nova banda. Seria muito divertido.

Marcelo de Assis: Você conhece a música brasileira?

Ray Wilson: Não muito, infelizmente…

Marcelo de Assis: Não seria um grande momento para você anunciar um retorno ao nosso país em breve?

Ray Wilson: Bem, eu devo me apresentar no Chile e na Argentina em julho deste ano, então, eu espero me apresentar novamente no Brasil. Eu gostaria muito.

Marcelo de Assis: Ray, muito obrigado pela sua entrevista e pela sua grande contribuição para o rock, que você faz com maestria!

Ray Wilson: O prazer é todo meu, Marcelo! Muitas felicidades para você e aos seus leitores!

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Lendário produtor Stuart Epps fala sobre Elton John, George Harrison e Jimmy Page

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Colaboração de Thander Easton

Um dos mais influentes produtores musicais do último século, o britânico Stuart Epps concedeu uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil e falou sobre a sua experiência em trabalhar em estúdio com verdadeiros ícones do rock como Jeff Beck, George Harrison, Jimmy Page e Elton John com quem iniciou sua carreira nos estúdios.

Epps também trabalha com duas bandas brasileiras: Janice Doll e Tarzen

Confira:

Marcelo de Assis: Stuart, você começou a trabalhar em um ambiente musical com apenas 15 anos. Quando você identificou essa paixão pela música? Foi bem mais cedo que isso?

Stuart Epps: Eu comecei meu interesse musical quando eu ainda era muito jovem. Eu costumava cantar quando eu tinha apenas três anos. Sempre quis cantar junto com as canções da rádio e meu pai realmente estava dentro da música

Marcelo de Assis: Como era trabalhar para o Dick James? Como surgiu esta oportunidade?

Stuart Epps: Você sabe, um grande amigo meu que também estava nas bandas, Clive Franks é um pouco mais velho do que eu e teve seu primeiro emprego na Dick James Music e ele me falou que teria que ser substituido! Ele era o office-boy e eu achava isso brilhante. Eu estava de saco cheio da escola e queria sair de lá. Ele costumava dizer “Eu conheci o Paul McCartney hoje e tenho que anotar seu numero. Isso é tudo o que posso te dizer”.

Pensei que brilhante seria trabalhar lá! Então fui a uma entrevista e consegui um emprego na Dick James em 1967. Lá era uma editora de música, provavelmente, a maior editora de música em Londres naquela época: eles publicavam os Beatles e um monte de bandas de Liverpool e tinhamos um estúdio também! Clive foi promovido a cortador de discos. Eu tive que limpar o banheiro, limpar a máquina de café e por isso, era um trabalho que ocupava muito tempo, mas claro, não era um trabalho brilhante porquê, como era uma editora musical haviam sempre grandes pessoas trabalhando por lá, fazendo música no estúdio.

Stuart Epps ao lado de Elton John e Kiki Dee nos anos 70 / Divulgação

Stuart Epps ao lado de Elton John e Kiki Dee nos anos 70 / Divulgação

Marcelo de Assis – Um dos seus primeiros trabalhos foi acompanhar Elton John quando você ainda tinha 18 anos e ele estava despontando como um grande nome da música mundial. Nos conte como foi isso!

Stuart Epps: Ele atendia pelo nome de Reg Dwight, um tipo de cara incomum com roupas engraçadas o qual eu tenho muita amizade e é um grande músico! Na verdade ele sentou ao piano, tocou músicas incomuns e eu pensei: “esse cara é incrível!” Um incrível pianista e cantor que eu nunca tinha ouvido falar antes que me fez pensar: “Quero ser um compositor!” Mas depois pensei “Esse cara é melhor do que eu e eu nunca serei tão bom quanto”, mas que me fez despertar o interesse e eu imaginei que talvez eu pudesse trabalhar com ele e que de alguma forma, isso seria ótimo! Ele mudou seu nome e tornou-se Elton John

Marcelo de Assis: Gus Dudgeon assinou grandes produções na história do rock como Ziggy StardustGoodbye Yellow Brick Road e você foi convidado para trabalhar com ele. O que você absorveu desta parceria e como ela influencia seu trabalho nos dias de hoje?

Stuart Epps: Você saberá a verdadeira estória agora! Steve Brown vinha produzindo Elton John para o álbum Empty Sky e eles já estavam pensando no próximo álbum e na verdade ele não foi compreendido o suficiente neste trabalho. Ele queria ter alguém para produzir melhor os próximos álbuns. Então, ele começou com o jovem Danny Cordell. Ele produziu todos os tipos de grandes artistas mas não aceitou o trabalho.

Com isso Stevie marcou uma reunião com um arranjador chamado Paul Buckmaster que passou a trabalhar com muita boa gente. Stevie disse a ele que estava procurando um produtor e Paul disse: “Gus Dudgeon! Você deve ir falar com ele. É um grande produtor e trabalhou com David Bowie em Space Oddity”.

E Stevie ama esse disco, então, ele foi ao encontro de Gus. Foi assim que Gus tornou-se produtor musical no álbum Elton John e teve Your Song com grandes sessões orquestrais.

Gus influenciou tudo o que eu faço. Aprendi todas as minhas habilidades de produção com ele. Então, eu aprendi com o melhor realmente e tento manter a tradição da mesma maneiro que Gus trabalhou com grandes produções e fazendo com que o estúdio seja um ótimo lugar para estar, tornando uma grande atmosfera e eu espero continuar com ele na minha area, onde ele me ajuda todos os dias. Como você sabe, ele infelizmente morreu durante um acidente de carro há onze anos.

Os trabalhos com George Harrison, Jeff Beck e Jimmy Page

Harrison Beck Page

Marcelo de Assis – Stuart, durante sua carreira você trabalhou com verdadeiras lendas da música como o ex-Beatle George Harrison, Jeff Beck e Led Zeppelin. Existe algum fato ou alguma lembrança especial que você guarda da convivência que você teve com estes artistas?

Stuart Epps: Trabalhar com George Harrison foi incrível! George veio ao estúdio trabalhar no álbum-solo de Mick Fleetwood (baterista do Fleetwood Mac). Você sabe, é uma coisa incrível estar com eles, conhecer um Beatle e ele realmente colocar a guitarra na gravação. Você tenta agir normalmente. Foi ótimo trabalhar com eles obviamente! São grandes artistas, absolutamente brilhantes.

Eu trabalhei com Jeff Beck e obviamente, você deve saber, Gus vendeu o estúdio ao Jimmy Page do Led Zeppelin com quem trabalhei durante cinco anos. Eu não era um grande fã do Led Zeppelin mas foi ótimo trabalhar com Jimmy.  No Brasil, Jimmy é visto como um “Deus”. Já fez grandes shows por aí. Ele tem bastante afinidade com o Brasil.

Marcelo de Assis: Com quais artistas você trabalha hoje?

Stuart Epps: Eu fui ao Brasil e trabalhei com uma banda chamada Tarzen. Eles assinaram com a Atlantic Records. Eles são uma ótima banda. Estou muito ansioso para trabalhar com mais bandas e artistas brasileiros!

Marcelo de Assis: Como você avalia o mercado musical nos dias de hoje com o advento da era digital e como isso influi hoje nos métodos de gravação em estúdio?

Stuart Epps: Esta é uma grande questão, Marcelo! Obviamente hoje em dia é completamente diferente como se costumava ser nos métodos analógicos de gravação, mas eu ainda uso os mesmos métodos realmente. O som que eu quero alcançar ficou na minha cabeça. Onde é digital ou analógico, você sabe, ainda é musica, ainda mais confiável agora do que nunca. A tecnologia mudou em mais de quarenta anos que tenho feito música. Eu vi todas as mudanças tecnológicas.

Música ainda é musica e tem movimento, tem de ser grande. É bom ser capaz de trabalhar em meu estúdio, em minha casa, bom para trabalhar com bandas de todo o mundo e você não poderia fazer isso ha vinte anos e compartilhar arquivos na web com bandas do Brasil ou de onde quer que seja, da Nova Zelândia, Australia e Estados Unidos. Eu pude trabalhar com bandas de toda a Europa, então, isso é bom!

Marcelo de Assis: Qual foi o artista que você teve mais prazer em trabalhar em toda a
sua trajetória profissional?

Stuart Epps: Eu trabalho com muitos artistas. Tenho o prazer em muitos deles. Paul Rodgers, provavelmente, um dos melhores cantores. Elton John, o melhor cantor, o melhor pianista. Trabalhar com Jeff Beck foi algo brilhante. Com Jimmy Page, um grande artista, grande produtor de grandes idéias.

Um novo projeto com Elton John

Stuart Epps e Elton John / Divulgação / Site oficial

Stuart Epps e Elton John / Divulgação / Site oficial

Marcelo de Assis: Stuart, eu vi uma mensagem no seu site oficial que você atualmente está trabalhando com Elton John em um novo projeto. Você pode nos falar sobre isso?

Stuart Epps: Eu não posso dizer o que é, mas é Elton cantando em uma faixa com um outro grande cantor e compositor dos anos 70. Provavelmente estará disponível em um mês ou dois. Eu não posso dizer muito sobre isso no momento, mas é ótimo estar trabalhando com Elton. Isso é certo!

Marcelo de Assis: Como você descreveria o Elton John?

Stuart Epps: Ele é o cara mais incrível, com um grande coração. Nunca tivemos uma discussão. Ele sempre esteve tentando fazer as melhores coisas para si mesmo e para outras pessoas. Na verdade ele é muito generoso.

Marcelo de Assis – você é da era dos discos de vinil e hoje, depois de anos de mudanças tecnologicas, ouvimos musicas por meios digitais, mas ainda existe muita discussão quando o assunto é qualidade sonora. Qual a sua posição sobre isso?

Stuart Epps – A minha posição é que música é música. Eu tento usar toda a minha experiência para obter os mesmos tipos de sons analogicos em gravações digitais.

Marcelo de Assis – Você tem algum sonho que não realizou ainda?

Stuart Epps: Seria bom viver em uma bela praia em algum lugar… provavelmente no Brasil com a minha esposa Julia, mas no momento estou trabalhando, trabalhando de uma maneira muito diferente com os artistas. É muito emocionante!

Conheça o site de Stuart Epps em:www.stuartepps.co.uk

 

Entrevista com John Helliwell, saxofonista do Supertramp

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Irreverente, bem humorado e um grande talento a serviço do rock e do jazz.

John Helliwell, lendário saxofonista do Supertramp conversou com o jornalista Marcelo de Assis em 2012, contou sobre o seu novo projeto Crème Anglaise onde se mantém fiel as suas raizes do jazz e, claro, falou muito sobre o Supertramp, nos revelando o lançamento do tão esperado DVD Paris.  Acompanhe:

Marcelo de Assis:  John, é um prazer enorme realizar esta entrevista com você para o The Music Journal Brazil. E você sabe que você tem muitos fãs no Brasil, graças a sua fantástica colaboração musical no Supertramp, certo?

John Helliwell: Estive com Supertramp durante 39 anos e a colaboração musical sempre foi muito boa. Estou orgulhoso do meu jeito de tocar com o grupo e eu acho que ele sempre esteve bem integrado para ajudar a produzir um som único.

Marcelo de Assis:  Quando começou a sua paixão pela música e, claro, pelo saxofone?

John Helliwell: Eu tinha 2 ou 3 anos quando ouvi meus pais cantando trechos de Handel’s Messiah – eu amava a música da época.  Eu tive aulas de piano quando eu tinha 9 anos e aos 13 anos eu fui atraído pelo clarinete. Comecei a aprender esse instrumento, então eu me interessei por jazz moderno e também comecei a tocar saxofone aos 15 anos. Eu fui inspirado por grandes saxofonistas de jazz, como Cannonball Adderley e Sonny Rollins.

Marcelo de Assis:  John, eu gostaria que você falasse sobre seu projeto Crème Anglaise, que é um grupo de jazz e que tem Mark Hart, que também fez parte do Supertramp. Como surgiu a idéia deste projeto? Ele reflete suas influências musicais?

John Helliwell: Eu tive um grupo de jazz desde 1992, quando fui estudar saxofone no The Royal Northern College of Music em Manchester. Em 2004 fui convidado para tocar em Genebra, na Suíça, para a empresa de relógios IWC e o diretor da empresa me implorou para incluir uma música do Supertramp.

Liguei para o Mark e convidei para se juntar a nós. Eu também decidi que eu precisava de um nome para o grupo, então eu inventei “Crème Anglaise”. Eu escolhi um nome francês porque se fala francês lá e também pode significar The Cream Of The Jazz musicians (A nata dos músicos de jazz, em inglês) Nós gostávamos de tocar juntos e, no ano seguinte, gravamos um CD.

Nós tocamos músicas escritas pelos membros da banda e mais alguns outros artistas favoritos.  No disco há músicos dos anos 40, 50, 60, 70 e 80!

Marcelo de Assis:  E como tem sido a receptividade do públco neste projeto?

John Helliwell: É um CD de jazz por isso vendeu poucas cópias em comparação com Supertramp, mas estou muito orgulhoso dele! Eu ouvi vários álbuns da cantora Barbara Walker com o pianista de jazz Uri Caine. Então a convidei para o projeto na Filadélfia, e ela disse “sim” imediatamente!

Marcelo de Assis:  Você tem uma profunda ligação com o jazz e o que se nota em seu trabalho, é que com grande versatilidade você conseguiu definir um estilo próprio, que marcou as canções do Supertramp. Este foi um grande desafio para você?

John Helliwell: Meu jeito de tocar neste álbum veio com muita facilidade por causa dos grandes músicos que me cercam. Eles são uma inspiração para mim!

Sobre o retorno do Supertramp na comemoração dos 40 anos da banda

Marcelo de Assis:  John, o Supertramp entrou em uma turnê comemorativa dos 40 anos de existência da banda. Como foram os shows pela Europa?

John Helliwell: A banda foi excelente! Tivemos nove músicos no palco e tem um som completo. Tocamos muito bem e os shows foram emocionantes e bem recebidos pelo público.

Marcelo de Assis:  Bom, aqui no Brasil existem milhares de fãs do Supertramp. Muitas pessoas questionam porque o Roger Hodgson não fez parte desta turnê comemorativa. O que aconteceu de fato?

John Helliwell: Antes da turnê, houveram negociações entre Rick Davies e Roger Hodgson. Eles não puderam concordar sobre vários aspectos da turnê, então, Roger não quis se juntar a nós.

Marcelo de Assis:  Vocês pretendem se reunir novamente? Se existir alguma possibilidade de isto acontecer, que tal vir ao Brasil novamente?

John Helliwell: Eu não acho que uma reunião entre Rick e Roger seria possível porque Roger, talvez, queira muito controle. Rick e a banda gostariam de vir para o Brasil. Talvez em algum momento (…..?)

Marcelo de Assis:  Certa vez eu vi em uma entrevista que Roger Hodgson chegou a dizer que você era o saxofonista preferido dele.  Como é a sua amizade com ele nos dias de hoje?

John Helliwell: Bem, isso é uma coisa agradável de se ouvir! Ele é um dos meus cantores favoritos. Nós não nos vemos muito hoje em dia. Ele está sempre em turnê e eu vivo em Inglaterra

Marcelo de Assis:  Outra questão que eu queria levantar aqui, é que eu acompanhei durante alguns anos a expectativa dos fãs em um lançamento em vídeo do lendário show “Paris”  que vocês realizaram em 1979. Existe algum projeto para o lançamento de um DVD?

John Helliwell: O concerto em vídeo será lançado neste ano, provavelmente em setembro por uma empresa chamada Eagle. Ficou muito bom, você vai gostar!

Marcelo de Assis:  Para você, qual foi o melhor álbum do Supertramp?

John Helliwell: Eu estou dividido entre Crime Of The Century (1974) e Breakfast In America (1979)

Marcelo de Assis:  John, você se apresentou com o Supertramp aqui no Brasil em 1988 nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Foi o maior público da história do Supertramp. O que você achou do público brasileiro?

John Helliwell: Eles amam a música! Eles tem música correndo em suas veias!

Marcelo de Assis:  O que você mais gostou do Brasil?

John Helliwell: Das pessoas e sua música. Do calor (do sol e de vocês) e das Cataratas de Foz do Iguaçú

Marcelo de Assis:  Uma de suas mais famosas características é que você sempre se mostrou bem-humorado nas apresentações, até contando piadas na platéia. Tem sido assim até hoje?

John Helliwell: Eu comecei anunciando o Supertramp porque ninguem na banda queria mais fazer isso. Eu apenas tento ser natural e descontraído com o público.

Marcelo de Assis:  Você gosta da música brasileira? Você tem algum artista favorito?

John Helliwell:  Eu não conheço a musica popular brasileira moderna mas eu gosto de Ivan Lins, Djavan, Gilberto Gil, Antônio Carlos JobimCaetano Veloso.

Marcelo de Assis:  Quando você vai trazer o Crème Anglaise para o Brasil?

John Helliwell:  Quando você me chamar!

Marcelo de Assis:  Tudo bem John. Caso venha, além de ser muito bem recebido pelo nosso público, eu ja separei todos os discos do Supertramp que eu tenho para você autografar, combinado?

John Helliwell: Eu assino qualquer coisa, menos um cheque! (risos)

Marcelo de Assis:  John, muito obrigado pela sua entrevista. Além de ser um dos maiores músicos do rock e do jazz, você é um gentleman! Gostaria que você deixasse uma palavra aos fãs brasileiros….

John Helliwell: Não mudem! Eu adoraria vê-los novamente, seja com o Supertramp  ou o Crème Anglaise. Até mais meus amigos!

 

Entrevista com Ana Tijoux

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com Alessandra Lopes

Melhor estar vivo e louco, do que estar morto em vida –  Ana Tioux, a ex-MC do Makiza, que se tornou uma das rappers mais importantes do mundo, é um verdadeiro veículo de mobilização social, política e cultural, não só em seu Chile natal, mas no mundo todo.

E a moça ainda tem um público considerável nos E.U.A. – a pátria do “gangsta rap”, estilo com o qual ela declaradamente não se identifica. Ouvir suas canções tem sempre um sabor especial, pois a moça vivenciou com seus pais o exílio num país estrangeiro para fugir da truculência da ditadura Pinochet, retornou a seu país e presenciou a abertura política que veio acompanhada de muitas contradições sociais e encontrou no rap um modo de se posicionar no mundo. Tendo vivido processo político e social semelhante, podemos nos enxergar em suas letras.

No último domingo, Ana se apresentou no CCJ Ruth Cardoso, na zona norte de São Paulo e tive a oportunidade de conversar com essa jovem e talentosa artista, e conferir de perto sua visão de mundo:

Alessandra Lopes – Ana, sabemos que seus pais viveram exilados na França, com quanto anos você voltou ao Chile e também, com quantos anos você começou na música?

Ana Tijoux – Aos quinze mais ou menos. Comecei tarde na música, aos 19, 20 anos.

Alessandra Lopes – Que tipo de música você ouve e influencia em sua própria criação?

Ana Tijoux – Acontece que parte de minha formação musical vem do que escutam meus pais, muita música latino-americana, somos todos muito fãs de Chico Buarque, muito folclore latino-americano, Ruben Blades, Inti-Illimani, Victor Jara, Mercedes Sosa, Los Olimareños do Uruguai

Alessandra Lopes – Você tem contato com as diversas cenas do rap mundial? E o que você acha do gangsta rap?

Ana Tijoux – Sim, mas nem tanto, porque é difícil estar em contato com todos. Sobre o gangsta rap, eu, pessoalmente não gosto, porque não me identifica. Não o julgo, porque creio que é o resultado de um sistema. O sistema constrói o grostesco no gueto também, e parte desse grotesco também é como o gangsterismo finalmente, construir inimigos entre as pessoas de um mesmo bairro. Nesse sentido não o julgo, mas não me reconheço nele, porque sinto que o inimigo é outro, não é o irmão da sua comunidade.

Alessandra Lopes – A música para você sempre foi uma força mobilizadora ou isso se intensificou em razão de questões sociais urgentes?

Ana Tijoux – Eu creio que não só o rap e a música, creio que o papel de los músicos e criadores em geral, é um papel de primeiro sensibilidade e de uma visão de mundo, creio que temos a capacidade de olhar o mundo, observá-lo, e sob esse ponto de vista de observação, se vai tecendo canções, então creio que há um clichê com o rap, que o rap é combativo, enquanto Chico Buarque é extremamente combativo e não faz rap; Rubén Blades é extremamente combativo e não faz rap. Eu creio que a música em geral, é luta, mas também creio que há beleza na luta. Também é o abstrato, também é fantasia. A música é livre e tem que ser livre sob este ponto de vista.

Alessandra Lopes – Você está sendo uma espécie de madrinha do movimento estudantil chileno, como está sendo isso pra você?

Ana Tijoux – Olha, madrinha me parece uma palavra grande demais, não é que eu esteja fugindo da responsabilidade, tenho que ser responsável pelo que canto, não sou porta-voz de ninguém, sou apenas uma musica, mas como disse Fela Kuti, a música é uma arma, e estou numa posição muito interessante de quem tem sensibilidade e pode falar do que acontece em meu país porque nos afeta a todos como sociedade. E o que aconteceu com os estudantes, esta revolução de um despertar social, também foi um despertar social transversal, e nós músicos não estamos alheios a isso, somos parte de uma comunidade, não só os músicos, mas também os políticos, os políticos que recebem criticas, mas se critica não só aos políticos, mas se critica um sistema completo que já não são democracias, mas são ditaduras corporativas instauradas que nem sequer se tratam de direita ou esquerda, mas de ambiciones políticas, que deixaram totalmente de lado a necessidade de um povo, que é a educação, e que finalmente faz a diferença entre um jovem que faz gangsta rap e outro que diz: eu faço rap, mas faço música e o inimigo é outro. A educação muda totalmente o ponto de vista sobre como alguém pode se construir na vida.

Alessandra Lopes – Você crê que essa postura crítica da juventude pode se disseminar por toda a América Latina?

Ana Tijoux – Sim, porque eu creio que o que esta acontecendo no Chile é o que está acontecendo na história do mundo também. E na historia da America Latina, uma America Latina cheia de cicatrizes. Creio que todas as ditaduras do cone Sul, Brasil, Argentina, Chile, Uruguai, que foram ditaduras mais ou menos paralelas, e nas quais houve um aparato político da parte dos EUA, com intervenção direta da CIA, e nas quais as torturas e politicas de choque que se estabeleceram foram as mesmas. Então quando você viaja a um pais irmão como Argentina, Uruguai, ou Brasil, você vê muitas situações que se repetem: linguagem de pobreza, de desigualdade… o mesmo, ditadura, matar as pessoas que são contrárias, torturar os vivos, deixa-los traumatizados, finalmente, matar uma geração, não só matar uma geração, mas matar o sonho de uma geração,  e desse modo assustar ao resto da população e se estabelece então a corporação e tudo se privatiza, a educação, a saúde e finalmente se estabelece um sistema neo-capitalista liberal gringo no qual tudo é privado, em que só o empresário e o patrão se beneficiam. Para mim esta é uma linguagem latino-americana porque são as mesmas dores, são as dores que atravessam a America Latina, pois é uma América Latina que tem sangue, é como disse Galeano em “As veias abertas da América Latina”, essa não é só uma luta contra este sistema, é uma luta que vem desde que chegaram os espanhóis, os portugueses, é uma luta de descolonização das corporações. E sob esse ponto de vista eu diria sim que é uma linguagem latino-americana.

Alessandra Lopes – Certa vez um grande jornal brasileiro mencionou em editorial que no Brasil tivemos uma “ditabranda” pois a nossa teria sido menos violenta… ao passo que destruiu o futuro destruindo a cultura e a educação. Me parece que o estrago na educação do Chile foi semelhante.

Ana Tijoux – É o mesmo, ao final, eu não creio em ditadura dura ou branda, se há um morto, ou cem mil mortos, é igualmente grave. Não se pode contabilizar se foi dura ou branda pela número de mortos. O problema é quando matam um sonho. E matam uma geração, e matam o desejo de dizer: “eu como cidadã, quero ser doutora no dia de amanhã, quero ser médica, quero ser astronauta, quero ser bióloga, quero ser socióloga…”. Ter a capacidade de decisão, de quem eu quero ser e como quero que meus filhos vivam e como quero que seja minha casa. Não que me estabeleçam um sistema em que eu tenha que ir a um colégio que eu não posso pagar até que se fechem as portas e acabe trabalhando no McDonalds porque não tenho outra possibilidade. A situação de violência foi a mesma, e quando se viaja a países irmãos se percebe, um se reconhece no outro. Há algumas distinções mas um se reconhece nessa viagem realizada graças à música, como com as dores, um se reconhece nas dores do outro. Para mim esse despertar do Chile é um despertar mundial, está ótimo, é necessário. Melhor estar vivo e louco que estar morto em vida!

Alessandra Lopes – Que artista chileno você destacaria atualmente?

Ana Tijoux – Muitos, tem muita gente bem bacana agora, eu gosto muito de um velho, não é tão velho, tem a idade de meus pais, se chama Mauricio Redolés, ele faz um rock-ska folclore, sei lá, uma mescla, e eu gosto muito de seus textos, são bem ácidos, mas é muito bonito, muito belo.

Alessandra Lopes – Com que artistas brasileiros você gostaria de trabalhar?

Ana Tijoux – Bom isso é um clichê, mas Chico (Buarque) para mim, é parte de minha história musical, Chico, eu sei que é impossível, mas sempre o vi como mentor em termos de escrita, creio que ele tem a capacidade de mesclar a beleza de letra e música, essa sensibilidade, esse perfeito ponto de inflexão.

Entrevista com Mike Lindup do Level 42

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Cantor, compositor e arranjador, o músico inglês Mike Lindup deixou a marca registrada de seu enorme talento em uma das maiores bandas dos anos 80, o Level 42.

Nesta entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil, diretamente de Londres, Lindup fala de sua relação com os integrantes da banda, o inicio de carreira, seus projetos e sua enorme paixão pela música brasileira. Acompanhe:

Marcelo de Assis: Mike, o Level 42 chegou a trinta anos de carreira. Como tem sido o relacionamento entre vocês, tanto pessoalmente quanto profissionalmente?

Mike Lindup: Quatro caras (Eu, Mark King, Phil Gould e Boon Gould) decidimos começar uma banda no final de 1979 e a idéia original era escrever músicas instrumentais inspiradas no Mahavishnu Orchestra, Return to Forever, Miles Davis, James Brown, Stevie Wonder, Herbie Hancock, Cream, Airto Moreira e Jimi Hendrix. Descobrimos cedo que para conseguir o nosso primeiro contrato de gravação tudo o que precisávamos era converter um de nossos instrumentais em uma canção, que foi “Love Meeting Love”. Nós gravamos e lançamos esta música em uma gravadora independente no norte de Londres, em maio de 1980.

Esse foi o começo. Pouco depois a Polydor nos deu um contrato, mas não tínhamos idéia de que iríamos gravar futuramente mais de 15 álbuns ao longo dos  próximos 30 anos e tocar em concertos para milhares de pessoas em todo o mundo.

Marcelo de Assis: E como tem sido a turnê em comemoração destes trinta anos?

Mike Lindup: A turnê do 30 º aniversário no ano passado foi fantástica, e nós temos esta gratidão em subir  ao palco e apresentar as músicas que gostamos de tocar e ver que as pessoas continuam a comparecer e se divertir em nossos shows. Voltamos para o Japão e EUA após uma longa pausa e foi como uma volta ao lar, tocar em lugares de diferentes dimensões com um grande som e intimidade para o público que estava esperando pelo nosso retorno desde 1987 nos EUA e 1994 no Japão.

Marcelo de Assis: O Level 42 sempre mostrou uma proposta musical bem diversificada, com elementos do funk e do jazz desde o início de suas atividades nos anos 80. Como foi definida essa fusão entre vocês?

Mike Lindup: Nós crescemos ouvindo Jazz, Funk, Soul, Rock, Reggae, ou seja,  toda uma diversidade de estilos que estava sendo tocado nas radios ou encontrados na lojas de discos em nossa juventude. Mark King era originalmente um baterista, e quando eu o conheci eu também estava tocando bateria em uma banda na faculdade de música. Então em vigor, haviam três bateristas na banda, apesar de Mark também tocar baixo e eu teclado, por isso estávamos sempre interessados no “Groove”, seja qual for o estilo da música que estávamos inseridos – nós amamos ouvir Miles Davis, ou James Brown, ou Fela Kuti, ou Herbie Hancock, com quem escrevemos 15 ou 20 minutos de música com o mesmo “Groove” – assim lá foi o funk ,  e então é claro que você ouviria solos por cima do “Groove”, no sax e teclados. E também por isso não foi só o jazz. Em nossa primeira gravação, Phil Gould trouxe um grande tecladista e compositor, Wally Badarou, de origem franco-africano e ele tornou-se um membro permanente quando estávamos no estúdio em todos os nossos álbuns, e ele trouxe a sua sensibilidade e os sons africanos em nossas gravações.

Marcelo de Assis: Miles Davis foi uma influência e tanto no início de sua carreira, não é mesmo?

Mike Lindup: Sim, muito. Álbuns como “Jack Johnson, Bitches Brew, In a Silent Way”, foram influências muito poderosas sobre nós quando estávamos começando. A forma como Miles reunira diversos talentos para o estúdio, como Tony Williams, Keith Jarrett, Wayne Shorter, Chick Corea, Ron Carter, Billy Cobham, Joe Zawinul  e John McLaughlin, que era música experimental realizada por alguns dos maiores músicos de sua idade, era uma poderosa influência para nós.

Marcelo de Assis: Em 1985 vocês lançaram o álbum “World Machine” que foi muito bem recebido pela crítica especializada e pelo público. A canção “Something About You” fez sucesso em todo o mundo. Me fale como foi aquele momento…

Mike Lindup: Para este álbum, levamos um tempo maior de preparação das canções do que anteriormente (às vezes íamos para o estúdio com apenas metade do álbum escrito). “World Machine” foi o primeiro álbum que nós mesmos produzimos junto com Wally. Então não havia alguma pressão durante a gravação que dividimos com o nosso empresário inicial  John Gould, que teve que enfrentar algumas dúvidas da Polydor sobre a qualidade da música. Mas quando o álbum foi lançado, foi um prazer que ele saiu tão bom quanto nós poderíamos ter esperado. “Something About You” foi uma música que quase não consegui terminar e  durante a gravação  não parecia estar tão boa quanto a demo, mas depois de algum trabalho extra e um conjunto brilhante de letras de Boon Gould, ganhou vida e quando os vocais foram cantados e arranjados, aí finalmente soou grande. Claro, isso não era garantia de que ele seria bem sucedido, por isso ficamos muito satisfeitos que se  tornou uma das nossas maiores conquistas.

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Marcelo de Assis: Podemos dizer que foi inevitável que o som do Level 42 ficou mais pop depois de “World Machine”. O foco era esse?

Mike Lindup: Nesta oportunidade, tivemos realmente de nos tornarmos compositores, e estávamos interessados em criar canções pop que vem da nossa experiência como músicos de jazz, funk e fusion rock.

Marcelo de Assis: Mike, você sempre deu uma enorme contribuição as composições do Level 42, tanto nos arranjos dos teclados como na voz. E Mark King deixa sempre uma marca registrada do estilo jazzístico que ele imprime nas canções. Podemos dizer que você e Mark são a alma da banda…

Mike Lindup: Isso é muito gentil de sua parte, mas acredito que uma banda é a combinação de todos os elementos envolvidos. Obviamente, sendo os cantores, somos a “voz” da música e o incrível talento de Mark como um baixista deixa uma marca grande no som da música.

Marcelo de Assis: Falando em sua carreira-solo, no álbum “Changes” que você lançou em 1990, na canção “Passion” pode-se considerar que o título é uma clara referência do seu sentimento pela música brasileira? Alias tem uma leveza de um samba que lembra muito Sérgio Mendes & Brazil´66

Mike Lindup: Em 1985 eu estava andando no centro de Londres e ouvi o som de uma batucada, como eu nunca tinha ouvido na vida. Descobri que havia uma “Escola do Samba de Londres” tocando, e assim eu tinha de saber mais a respeito daquilo, e acabei tocando com eles no Notting Hill Carnival por 2 anos consecutivos, (tocando Reco Reco e, no ano seguinte, Surdo). Quando eu estava escrevendo as músicas para “Changes”, eu queria expressar meu amor pela música do Brasil que teve uma influência tão grande em minha vida, como um agradecimento para ela. E desde então tem sido um sonho em ir para o Brasil um dia, e eu ainda vou esperar para torná-lo realidade.

Marcelo de Assis: E por falar nisso, como foi o seu primeiro contato com a música brasileira e sua paixão por ela?

Mike Lindup: Eu tive uma conexão com a música brasileira desde quando eu tinha 3 anos, quando eu ouvi pela primeira vez “Desafinado” em nosso toca-discos, e mais tarde meu pai tinha uma gravação em seu carro, com Astrud Gilberto. Eu adorei a voz dela e qualidade assombrosa de sua música. Mais tarde descobri que havia muito mais da música brasileira e alguns amigos meus da América do Sul tinham uma banda em Londres na década de 80 chamada “Sambatucada” e eles me apresentaram gravações dos sons afro-brasileiros e suas composições… Mais tarde descobri alguns dos grandes artistas do movimento “Tropicália”.

Marcelo de Assis: Quais são os músicos brasileiros de sua preferência?

Mike Lindup: Eu amo Airto, Hermeto Paschoal, Egberto Gismonti, Gal Costa, Maria Bethânia, Gil, Nana Vasconcelos, João Gilberto, João Bosco, Milton Nascimento, Caetano, Ivan Lins, Tom Jobim

Marcelo de Assis: Você tem um projeto chamado “Da Lata”… conte-nos sobre ele.

Mike Lindup: Era um projeto de dois amigos meus, Chris Franck e Nina Miranda e quando entrei em 1999, um outro amigo meu era o vocalista, que eu havia conhecido na Escola do Samba de Londres, Liliana Chachain. A música tinha muito ritmo afro-brasileiro com composições originais mesclando R&B mais tarde. Toquei teclados e fui backing vocal cantando em português com a banda durante um período de cinco anos. Mas, em seguida, Chris e Nina decidiram colocar o projeto no armário por tempo indeterminado – e eu espero que ele seja um dia revivido.

Marcelo de Assis: No seu trabalho-solo “Conversations With Silence” você compôs a canção “Brasil 2000”. Qual foi a sua inspiração para esta composição e qual a razão do título?

Mike Lindup: Foi escrita no ano 2000 e havia alguma expectativa sobre o que o novo milênio traria para o mundo. E eu queria escrever um samba! Não há um grande mistério …

Marcelo de Assis: Você lançou um novo EP “On The One” onde a canção-título tem um toque e tanto de R&B. A proposta deste novo trabalho é caminhar por outros horizontes musicais?

Mike Lindup: Eu meio que voltei  para as raízes da minha alma ao compor este EP, como Al Green, Stevie Wonder, Marvin Gaye e James Brown. Esta é a música que eu cresci ouvindo, antes de Level 42 e parecia como se eu quisesse dizer recentemente como um artista necessita de sua “alma” central. Eu cresci em uma casa que estava cheia de variedades musicais e meus pais, que eram músicos desde cedo, tinham uma coleção de álbuns que variavam de Miles Davis a Yehudi Menuhin, de Tschiakovsky a Stan Getz, dos Beatles a Pete Seeger, de Bob Dylan a Simon e Garfunkel, de Laura Nyro a Aretha Franklin e, então, é normal e natural para mim atravessar diferentes estilos. É apenas o mesmo que um artista atavessando entre uma aquarela e uma escultura de óleo, cerâmica e fotografia.

Marcelo de Assis: Atualmente a indústria da música está em franca transformação. Muitos artistas criaram seus próprios selos e se desvincularam das grandes gravadoras. A música passou a ser digital e as vendas de CD´s caem vertiginosamente em todo o mundo. Como você observa este cenário e como você imagina o futuro da música?

Mike Lindup: É uma grande questão e eu não sei as respostas, exceto para dizer que tudo mudou a partir de quando eu entrei neste negócio da música. Eu estou tentando encontrar meu caminho em novas possibilidades. Em alguns aspectos é melhor que as grandes empresas já não estejam ditando quem fará sucesso, mas você precisa de uma plataforma, como um artista, especialmente quando você está começando. Alguns dos jovens talentos estão realmente usando muito bem a internet e eu acho que nós precisamos encontrar novas maneiras de ganhar a vida sendo músicos e compositores e isso eu faço, com certeza. Pelo menos o valor da performance ao vivo se mantem alta.

Marcelo de Assis: O Level 42 tem muitos fãs no Brasil e você é um amante da música brasileira. Então Mike,  o que está faltando para o Level 42 se apresentar no Brasil?

Mike Lindup: O convite certo!!!!

Marcelo de Assis: Mike, muito obrigado pela sua entrevista e como um profundo admirador de seu trabalho, espero ter
a oportunidade de vê-lo aqui no Brasil e agradeço também pela sua contribuição e divulgação de nossa música em outros países!

Mike Lindup: Obrigado pela oportunidade de explorar o meu amor pelo Brasil e sua música.

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Entrevista exclusiva com Guilherme Arantes

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Um dos maiores compositores da música popular brasileira e dono de sucessos como Amanhã, Meu Mundo e Nada Mais, Cheia de Charme e Êxtase, o paulistano Guilherme Arantes concedeu uma entrevista exclusiva ao The Music Journal Brazil.

Preocupado com a preservação ambiental, ele contou sobre o seu trabalho na ONG Planeta Água que  mantém na Bahia, o início de sua carreira, parcerias e sobre o seu novo álbum que será lançado no ano que vem. Acompanhe:

Marcelo de Assis: Guilherme, em seu site oficial você já avisou que um novo álbum está a caminho… o romantismo terá novamente um espaço cativo em suas novas composições?

Guilherme Arantes: Terá, mas cada vez mais o amor tem que ser um amor maduro…

Marcelo de Assis: E quando o novo trabalho estará pronto?

Guilherme Arantes: Acho que só depois do Carnaval de 2012…

Marcelo de Assis: Você planeja uma turnê pelo Brasil?

Guilherme Arantes: Estamos em turnê todo ano, permanentemente, desde 1984…

Marcelo de Assis: Você foi um garoto prodígio com a música, tocando instrumentos de corda desde muito cedo. Como foi essa migração e a sua paixão pelo piano?

Guilherme Arantes: Foi muito cedo, porque meu pai comprou o piano de casa quando eu tinha 6 anos…

Marcelo de Assis: Quando você saiu da banda Moto Perpétuo, que mantinha um estilo voltado para o rock progressivo, você passou a criar composições que se encaixavam bem mais á musica popular brasileira do que ao estilo anterior. Porém, nos arranjos da canção Amanhã parece nítida a influência progressiva. Foi exatamente isso que aconteceu?

Guilherme Arantes: Foi, o chamado “som progressivo” dos anos 70 é recorrente pra mim, uma fase maravilhosa musicalmente, porém um pouco pedante em cima do “virtuosismo”, mas que deixou marcas de coisa belíssimas também…

Marcelo de Assis: E por falar em Amanhã, esta canção fala muito da esperança no futuro… o que te inspirou a escrevê-la e como aconteceu?

Guilherme Arantes: Foi numa crise, eu tinha terminado namoro, estava mal.. aí escreví a letra em duas horas, descendo pra Santos no meu fusquinha vermelho….

Marcelo de Assis: Eu confesso, Guilherme que a canção Baile de Máscaras de 1977 é uma das minhas preferidas e, claro, de muitos fãs. E ela facilmente constrói um “filme” na mente de quem escuta. É uma estória de amor de duas pessoas que sofreram com o seu passado e que, como diz a letra, “lavaram as almas” com o encontro. Ela, como outras composições, tem alguma referência com a sua experiência de vida?

Guilherme Arantes: A maioria sim, não sou muito de fantasiar… Fica melhor quando se vive o que se canta…

Marcelo de Assis: Você participou de vários festivais musicais nos anos 70 e 80. Só que no Prêmio Shell realizado em 1981, você foi a grande sensação com a belíssima canção Planeta Água mas que perdeu na ocasião para Purpurina na voz da (então, futura atriz) Lucinha Lins… como foi lidar com aquela ocasião, naquela época, sabendo que sua canção era melhor do que a da concorrente, que foi vaiada imediatamente após o resultado dos votos do júri?

Guilherme Arantes: Aquilo foi uma pixotada, uma palhaçada… Não o festival em si, que foi ótimo, mas o resultado foi um mistério….

Marcelo de Assis: Planeta Água deixou clara a sua preocupação com o meio ambiente. A ONG que você mantém na Bahia e que leva o mesmo nome da canção, era na verdade, um sonho antigo?

Guilherme Arantes: Era, e é uma realização de vida…

Marcelo de Assis: E como tem sido o trabalho nesta ONG?

Guilherme Arantes: A gente participa do Conselho gestor das APAs (Áreas de Preservação Ambiental) e faz um trabalho de conscientização e de replantio da biodiversidade…

Marcelo de Assis: O seu ecletismo musical parece o deixar bem a vontade ao trabalhar com outros grandes nomes de nossa música, como, por exemplo, Elis Regina, Flávio Venturini, Leila Pinheiro e Roberto Carlos. Buscar uma similaridade musical soa como um desafio para você?

Guilherme Arantes: Sempre será um  desafio, ainda mais quando os artistas são tão significativos, ídolos, o respeito e o prazer são enormes….

Marcelo de Assis: Guilherme, você já foi um recordista de arrecadação de direitos autorais nos anos 80. Com essa mudança no mercado fonográfico onde a música pode ser adquirida pelo computador, muitas vezes gratuita, não gerando retorno de um trabalho realizado, como você vê a situação no futuro dos novos músicos e até mesmo da música em geral?

Guilherme Arantes: Tudo se resolverá. Novas mídias trazem novos desafios, e novas soluções. Tudo é uma questão de tempo. Por enquanto , há um impacto da chegada dos meios digitais..

Marcelo de Assis: Muitos fãs reclamam que você não aparece tanto como antes na mídia como, por exemplo, nos programas de TV. Você sente falta desta aproximação com estes meios de comunicação?

Guilherme Arantes: Não, porque não há mais tantos espaços na mídia.. Onde é que me querem ver ? No Chacrinha? No Bolinha?  Nada disso existe mais…

Marcelo de Assis: Qual a sua opinião sobre os novos talentos de nossa atual música popular? Você tem algum artista preferido atualmente?

Guilherme Arantes: Tenho: Zeca Baleiro, Maria Gadú, Roberta Sá e seu marido Pedro Luis, Marcelo Jeneci, tem tanta gente…

Marcelo de Assis: Você já fez parte de muitas parcerias musicais. Você destacaria alguma que foi muito especial para você?

Guilherme Arantes: Foi com Nelson Motta minha melhor parceria, em muitos momentos…. Acho mesmo que devemos prosseguir…

Marcelo de Assis: Nestes 35 anos de carreira, qual a palavra que definiria toda a sua trajetória?

Guilherme Arantes: Muita sorte, muita luta, muitas alegrias…

Marcelo de Assis: Guilherme, obrigado pela sua entrevista e, na minha condição de jornalista e admirador de seu trabalho há muitos anos, deixo meu agradecimento por sua imensurável contribuição á nossa rica música popular brasileira!

Guilherme Arantes: Obrigado a você, pelo espaço…e sempre que precisar, estou á disposição, Abraços!

Entrevista com Luiz Schiavon do RPM

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Ele fez parte de uma das maiores bandas de rock do Brasil que conquistou o público e fez grande sucesso nos anos 80. Compositor e arranjador, Luiz Schiavon deixou a marca registrada de seu enorme talento e versatilidade em grandes canções do RPM como “Olhar 43”, “Radio Pirata” e no instrumental “Naja”.

Nesta entrevista concedida ao The Music Journal Brazil, Schiavon fala sobre o retorno do RPM, seu trabalho com Fausto Silva, suas influências musicais e sobre o novo álbum. E ainda nos revela: o RPM estará no Rock In Rio 2011! Acompanhe:

Marcelo de Assis: Schiavon, o RPM volta á cena musical neste ano?

Luiz Schiavon: É absolutamente certo que sim. Estamos em estúdio desde janeiro, temos 70% do album já pronto e começaremos os ensaios para show em 2 semanas.

Marcelo de Assis: O que os fãs poderão esperar do novo álbum?

Luiz Schiavon: Bom, é uma pergunta difícil. Todo artista faz seu máximo em cada trabalho e estamos fazendo isso. É um álbum bem “RPM”, com teclados, sequencers, riffs de guitarra, letras com conteúdo. Mas também está up-to-date, não é oitentista. Acho que mantivemos o espírito da banda numa visão atual e ao mesmo tempo madura.

Marcelo de Assis: Vocês estarão no Rock In Rio?

Luiz Schiavon: Com certeza !

Marcelo de Assis: A homenagem feita ao RPM no especial da TV Globo “Por Toda Minha Vida” foi o que impulsionou o retorno da banda?

Luiz Schiavon: Não digo que tenha sido o fator principal, mas foi uma espécie de estopim. Já vínhamos conversando sobre um retorno definitivo desde 2008, mas compromissos individuais dificultavam as coisas. O programa nos deu a dimensão do que é realmente o RPM e decidimos voltar pra valer.

Marcelo de Assis: Como foi sua experiência trabalhando no “Domingão do Faustão”?

Luiz Schiavon: Foi uma das melhores coisas da minha carreira. Pra começar o Fausto é um gênio. Recebe muitas críticas que considero injustas. As pessoas não tem a percepção de como é difícil vc sozinho encarar um programa ao vivo de 4 horas. Tem que ter muito jogo de cintura, pensar muito rápido. No gravado é fácil, errou volta. Ao vivo a coisa pega, e ele é mestre nisso, além de ser, fora do palco, uma das pessoas mais bacanas que conheci.

Mas como dizia, foi uma das melhores coisas da minha carreira. Me deu um timming de TV que é difícil ter. Saber qual câmera está em você sem precisar olhar, acertar o “tempo” de uma piada ou de uma resposta. Além disso a banda era composta por alguns dos melhores músicos do Brasil e é uma escola no dia-a-dia.

Me deu também uma experiência em ser um músico eclético. Num dia tocamos mambo, no momento seguinte rock, depois sertanejo, etc. Muito bom mesmo !

Marcelo de Assis: Você é um dos maiores músicos brasileiros. Quais foram suas influências musicais?

Luiz Schiavon: Não me considero um dos maiores músicos brasileiros, embora agradeça o elogio. Acho que minha maior virtude é ter um dom para arranjo e composição. E, apesar da formação em piano erudito, gosto muito de tralha eletronica. Talvez meu maior mérito tenha sido popularizar o uso da eletrônica em shows e gravações. Minhas influências foram, no Brasil, Egberto Gismonte, Cesar Camargo Mariano, Zimbo Trio. De fora, Tony Banks (Genesis), Rick White (Pink Floyd), Brian Eno, Walter-Wendy Carlos, Giorgio Moroder. Claro que as pirotecnias do Keith Emerson e do Rick Wakeman também influenciaram, mas prefiro a nota certa, bem colocada, que um zilhão de fusas “difusas”, se permite o trocadilho. E os grandes nomes do Jazz, especialmente Oscar Peterson, Count Basie, Thelonius Monk.

Marcelo de Assis: Schiavon, como você avalia hoje o interesse do brasileiro pela música instrumental?

Luiz Schiavon:  ZERO, infelizmente. Isso é uma coisa que me deixa chateado. Quando era jovem, com 20 e poucos anos, vc ia ao auditório do Anhembi e via 3 mil pessoas assistindo o Egberto. Por esse tipo de influencia fizemos Naja que chegou ao top 5 das rádios !

Hoje isso acabou e a música instrumental brasileira, que sempre foi uma das melhores do mundo, vem definhando. Nossos grandes músicos tem que ir para o exterior para viver onde, em geral, são reconhecidos e acabam tendo que permanecer por lá. Mas não é só na música. Vivemos um momento de emburrecimento cultural que é reflexo de políticas públicas tacanhas e até mesmo, ouso dizer, mal-intencionadas.

Marcelo de Assis: Um certo dia, o RPM estourou em todas as rádios do Brasil. Depois inúmeras aparições na TV e grande shows… como foi lidar com todo esse sucesso?

Luiz Schiavon: Lidar com o sucesso é difícil, mas lidar com o fracasso é bem pior ! Hehehehe

Marcelo de Assis: Me lembro bem quando ouvi o instrumental “Naja” pela primeira vez e vi pela tv, em um show do RPM, a imediata reação positiva da platéia… hoje não temos mais este tipo de trabalho no rock nacional. Como você classifica essa mudança ao longo dos anos?

Luiz Schiavon: Isso está mais ou menos respondido na pergunta anterior. Além disso, lamentavelmente, o músico médio de rock da atualidade é meio fraquinho. Imagino os coloridinhos de hoje tocando Burn do Deep Purple! Heheheh !  Ia ser hilário !

Marcelo de Assis: Certamente você foi um dos primeiros músicos no Brasil a utilizar o lendário (sintetizador) Fairlight. Você ainda usa ele em seus projetos?

Luiz Schiavon: Acho que fui o único, não lembro de nenhum outro maluco gastar U$ 118.000,00 num instrumento. Hoje ele está aposentado. Mas tenho mantido contato com o Peter Vogel, projetista do Fairlight, que está prestes a lançar o CMI 30A e, logicamente, estou na fila de espera. Como ex-proprietário fui convidado para um test-drive depois do lançamento oficial.

Marcelo de Assis: O que você tem escutado atualmente?

Luiz Schiavon: Cara, eu escuto de tudo, de Lady Gaga a Marvin Gaye, passando por jazz, samba e sertanejo. Como disse esse período no Domingão me auxiliou a ser menos preconceituoso e mais eclético. Música boa é música boa.

Quando falei que gostava da Calypso quase me mataram. Só quando o Herbert Vianna falou que o Chimbinha é um dos maiores guitarristas e o comparou ao Mark Knopfler é que neguinho parou pra ouvir. Eles são geniais no segmento onde trabalham. Preconceito é uma merda, seja de cor, religião ou mesmo musical.

Marcelo de Assis: Schiavon por Schiavon:

Luiz Schiavon: Um cara do bem, que adora a família, os amigos e o RPM.

Marcelo de Assis: Schiavon, muito obrigado pela sua entrevista e pela sua inestimável contribuição ao rock brasileiro!

Luiz Schiavon: Sou eu que agradeço por terem me aguentado nesses 35 anos de carreira ! Valeu !!